Taochi
Blog/NR-1
NR-1Por Eliton Silva·13 de maio de 202611 min de leitura

O Guia do MTE sobre fatores de risco psicossociais (2025): o que ele diz, o que ele cobra, o que ele não resolve com planilha

O Ministério do Trabalho publicou em abril de 2025 o Guia de Informações sobre Fatores de Riscos Psicossociais Relacionados ao Trabalho. Veja o que está no documento, o que o auditor lê dele e por que planilha de Excel não dá conta dos critérios.

Um documento curto que mudou tudo

Em abril de 2025, antes mesmo da entrada em vigor da revisão da NR-1, o Ministério do Trabalho publicou um documento que muita empresa ainda não leu: o Guia de Informações sobre Fatores de Riscos Psicossociais Relacionados ao Trabalho. Não é uma norma — é orientativo, como o próprio guia avisa na primeira página. Mas é o documento que o auditor fiscal usa para se preparar antes de entrar na empresa, e é o documento que dá vocabulário à NR-1.

Quem não leu, está atrasado. Quem leu sem entender, está exposto. Este texto é para quem ainda não leu, para quem leu mas ficou com dúvida, e principalmente para quem está tentando atender à NR-1 com uma planilha de Excel — porque o guia explica, sem dizer com essas palavras, exatamente por que isso não vai funcionar.

O que o guia traz que a NR-1 não trazia sozinha

A NR-1 atualizada em 2024 introduziu a obrigação de incluir riscos psicossociais no PGR. Mas o texto da norma, embora preciso, é genérico — diz que a empresa "deve identificar perigos e avaliar riscos", sem detalhar o que conta como perigo psicossocial e como ele deve ser identificado.

O guia preenche essa lacuna. Ele faz três coisas que a NR-1 sozinha não faz:

Primeiro, lista os fatores de risco psicossociais reconhecidos pelo MTE — não como obrigação taxativa, mas como referência interpretativa. São treze fatores em quatro grandes blocos. Mais sobre eles abaixo.

Segundo, explica como o conceito de fator psicossocial se distingue de outros conceitos próximos com os quais é frequentemente confundido: clima organizacional, saúde mental individual, ergonomia clássica, qualidade de vida no trabalho. O guia esclarece que fator de risco psicossocial é uma característica da organização do trabalho que pode causar dano à saúde, não um sintoma do trabalhador. Essa distinção parece sutil, mas é a chave de toda a abordagem regulatória.

Terceiro, conecta a NR-1 à NR-17 (Ergonomia), apontando que a Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP) — instrumento previsto na NR-17 — é o veículo natural para a identificação dos fatores psicossociais. Não é necessariamente o único, mas é o que o MTE espera ver no PGR de qualquer empresa.

Os treze fatores que o auditor leu antes de te visitar

São quatro categorias, com itens dentro de cada uma. A lista abaixo não é decoração — é o que está documentado no guia oficial:

Sobre a organização do trabalho:

  • Sobrecarga (excesso de demanda em relação ao tempo, recursos ou capacidade)
  • Subcarga (baixa demanda, monotonia, ausência de estímulo)
  • Baixa autonomia (falta de controle sobre como executar a tarefa)
  • Má gestão de mudanças (reestruturações sem comunicação ou participação)
  • Baixa clareza de papel (ambiguidade sobre responsabilidades, ordens conflitantes)

Sobre as relações e o reconhecimento:

  • Falta de suporte do gestor
  • Falta de suporte dos colegas
  • Más relações interpessoais
  • Baixas recompensas e reconhecimento (esforço × recompensa em desequilíbrio)

Sobre violência e discriminação:

  • Assédio moral
  • Assédio sexual
  • Discriminação

Sobre eventos críticos:

  • Eventos violentos ou traumáticos (interno ou externo ao trabalho, vivenciado no exercício da função)

O guia ainda menciona, em pontos específicos, dois cenários transversais: comunicação difícil (ambientes ruidosos, EPI obstrutivo, isolamento físico) e trabalho remoto e isolado (home office sem estrutura, isolamento social, dificuldade de desconexão).

Esses treze fatores não precisam estar todos presentes em toda empresa. Mas a empresa precisa demonstrar que avaliou cada um deles — ou explicou tecnicamente por que algum não se aplica ao contexto avaliado.

Precisa se adequar à NR-1?

O Taochi automatiza o ciclo completo: pesquisa psicossocial, diagnóstico, plano de ação e documentação. Sem taxa de implantação.

O que o guia espera que a empresa faça

A leitura do guia em conjunto com a NR-1 deixa claro que o MTE espera quatro coisas da empresa, em qualquer porte ou setor:

Identificação metodologicamente fundamentada. Não basta dizer "não temos esses problemas" — é preciso demonstrar como foi feito o levantamento. Pode ser por instrumento de pesquisa (autorrelato anônimo dos colaboradores), por avaliação ergonômica conduzida pelo SST, por observação participativa, ou pela combinação dessas abordagens. O guia explicitamente aceita métodos qualitativos, semiquantitativos e quantitativos — não exige um instrumento específico, mas exige fundamentação técnica.

Classificação dos riscos. Identificados os fatores presentes, a empresa precisa avaliá-los — quanto cada um pesa em termos de severidade (gravidade do agravo potencial) e probabilidade (chance de ocorrência). A classificação resultante alimenta o inventário de riscos do PGR.

Plano de ação coerente. Para os riscos classificados como relevantes, plano de ação com medidas, responsáveis, prazos e indicadores de acompanhamento. Não é o guia que exige isso explicitamente, é a NR-1 (item 1.5.5.2) — mas o guia ajuda a empresa a entender que a ação tem que combinar com o tipo de risco. Plano genérico para problema específico é sinal vermelho na fiscalização.

Participação dos trabalhadores. Tanto a NR-1 quanto o guia enfatizam que a gestão de psicossociais não pode acontecer com os trabalhadores apenas como objeto de estudo — eles precisam participar do processo. Como participam? Respondendo a pesquisa anônima, integrando consulta da CIPA, sendo comunicados dos resultados e das medidas, e tendo canal aberto para relato (ouvidoria, escuta ativa).

Onde a planilha de Excel desmorona

Aqui está o ponto que muitos profissionais de RH e SST descobrem só quando o auditor chega — ou quando contratam consultoria especializada para revisar o trabalho. A planilha do Excel não atende, na prática, a quase nenhum dos quatro pontos acima.

Vamos por partes.

Sobre identificação metodologicamente fundamentada: o auditor pergunta "como foi feito o levantamento?". A resposta de quem usou planilha geralmente é "criamos uma pesquisa em Google Forms e tabulamos os resultados". O auditor então pergunta "qual instrumento foi usado?". E aí está o problema — o Google Forms é uma ferramenta de coleta, não um instrumento de avaliação psicossocial. Não há literatura técnica que sustente "um questionário que escrevemos internamente" como base para classificação de risco. Não há validação psicométrica. Não há referência publicada. A empresa fica sem argumento técnico.

Sobre classificação dos riscos: o guia espera que cada fator identificado seja classificado em uma escala defendível. Severidade × Probabilidade. Em planilha, isso fica refém da intuição de quem preenche. "Achei que carga de trabalho está em nível médio." Por quê? Onde está o critério? Onde está documentado? A NR-1 (1.5.4.4.2.2) exige que os critérios de gradação de severidade e probabilidade, os níveis de risco e os critérios de classificação estejam detalhados em documento. Quem documenta isso direito em planilha? Praticamente ninguém — é trabalho dedicado, fora do conforto da tabela.

Sobre plano de ação coerente: aqui a planilha até consegue listar ações. Mas a coerência do plano depende de rastrear cada ação à dimensão de risco que a originou. Em planilha, essa rastreabilidade é frágil — uma coluna a mais, uma linha que se perdeu na cópia entre versões, e o vínculo entre diagnóstico e ação se rompe. Quando o auditor pergunta "por que essa ação?", a resposta vira "porque achamos importante" em vez de "porque o diagnóstico identificou risco alto na dimensão X com score Y, e a ação é a resposta documentada para esse fator".

Sobre participação dos trabalhadores: a planilha consegue armazenar respostas, mas não consegue garantir anonimato técnico. Esse é o ponto onde o trabalhador percebe — consciente ou inconscientemente — que sua resposta pode ser rastreada. E quando isso acontece, a resposta vira o que o trabalhador acha que o RH quer ouvir, não o que ele percebe. O auditor não tem como saber disso de fora, mas a empresa sim — e quando vê os resultados desconectados da realidade que conhece pelos corredores, sabe que algo está errado.

O que o guia, indiretamente, sinaliza ser preciso

Lendo o guia oficial em conjunto com a NR-1 e a NR-17, fica claro o que o MTE espera de uma empresa que pretende cumprir a regulamentação com seriedade:

  • um instrumento de avaliação reconhecido — o guia não nomeia instrumentos, mas faz referência ao tipo de medição que se espera: anônima, autoaplicável quando viável, fundamentada cientificamente.
  • uma AEP por departamento — para os fatores que não cabem em pesquisa autoaplicável (violência, eventos traumáticos, comunicação difícil, condições específicas de teletrabalho), o profissional de SST avalia diretamente.
  • um inventário de riscos estruturado, com classificação documentada e rastreabilidade entre diagnóstico e ação.
  • um plano de ação vivo, não apenas documental — com execução acompanhada, atas, registros.
  • registros de participação dos trabalhadores em cada fase do processo.

A planilha de Excel pode até começar a entregar essas peças — mas quando o ciclo precisa ser revisto (a cada dois anos no mínimo, segundo a NR-1), quando a empresa abre novo estabelecimento, quando a fiscalização pede o histórico de cinco anos atrás, a planilha tende a falhar exatamente onde a empresa precisava dela.

Caminhos práticos

Ler o guia oficial é o primeiro passo — ele está disponível em taochi.com.br/blog/guia-mte-nr1-22-perguntas-respostas-decodificadas com a tradução prática que fizemos. O guia direto do MTE também está no site do Ministério.

O segundo passo é honesto: avaliar se a planilha atual da empresa dá conta dos quatro pontos. Para a maioria das organizações, a resposta sincera é não. Não porque o RH ou o SST estejam fazendo trabalho ruim — pelo contrário, geralmente são pessoas competentes tentando resolver um problema com a ferramenta errada. A planilha foi feita para outra coisa.

O terceiro passo é decidir o que substitui. Pode ser consultoria especializada que entrega o pacote pronto, pode ser plataforma dedicada que mantém o processo vivo entre os ciclos, pode ser a combinação dos dois. O que não dá mais é manter a planilha como ferramenta principal.

A Taochi foi construída exatamente para esse cenário — entregar o pacote completo que o guia do MTE descreve, com anonimato técnico, instrumentos com validação publicada, AEP por departamento, inventário e plano de ação integrados, ouvidoria, documentação com verificação digital auditável. Tudo em uma única plataforma, sem o trabalho de manter planilhas vivas entre os ciclos.

A regulamentação da NR-1 mudou de fase. O auditor lê o guia antes de visitar. Vale a empresa ler antes também.

Documento oficial: Guia de Informações sobre Fatores de Riscos Psicossociais Relacionados ao Trabalho — MTE, abril/2025

---

A Taochi entrega o conjunto completo exigido pela NR-1 e detalhado no Guia MTE 2025: identificação por instrumento validado, AEP por departamento, inventário com critérios documentados, plano de ação rastreável, ouvidoria e participação dos trabalhadores. R$30/colaborador. Comece em taochi.com.br/cadastro ou fale pelo WhatsApp (11) 97266-5394.

guia MTEfatores de risco psicossociaisNR-1NR-17AEPPGRfiscalizaçãoplanilha Excelinventário de riscos

Sua empresa precisa se adequar à NR-1?

O Taochi aplica instrumentos validados cientificamente, gera o diagnóstico por dimensão psicossocial e produz toda a documentação que sua empresa precisa. Sem taxa de implantação.

Começar agoraSou consultoria SST
O Guia do MTE sobre fatores de risco psicossociais (2025): o que ele diz, o que ele cobra, o que ele não resolve com planilha — Blog Taochi